Para quem vem a Porto Alegre, há sempre muitas opções para fazer turismo. Uma superlegal e interessante é o Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS. Ali há bons registros dos períodos Permiano (290 milhões de anos), Triássico, Jurássico (199 milhões) e Pleistoceno (2 milhões), todos de coleções científicas do museu. A coleção de Fósseis do Setor de Paleontologia conta com mais de 8 mil espécimes, sendo 4 mil vertebrados, a maioria do Triássico. Grande parte do material é destinada a pesquisas e uso dos estudantes de graduação e pós-graduação. No entanto, o público em geral pode visitar alguns exemplares na área de exposição do museu, com réplicas e fósseis de vegetais e de animais, como a preguiça-gigante e o prestossauro, um grande predador do passado. Além disso, um diorama representa as camadas geológicas e exemplares de troncos fossilizados, onde os anéis de crescimento das árvores petrificadas mostram a sua idade.

 

O material do Saturnalia tupiniquim, um dos mais antigos dinossauros encontrados, também ali está tombado. A espécie muito primitiva viveu no final do período Triássico e foi descoberta nas cercanias de Santa Maria no final da década de 1990. Pesquisas mostram que era um animal onívoro, caçador de pequenas presas e razoavelmente inteligente. “Sabemos que os dinossauros tiveram uma diversificação muito rápida no planeta. E quando falo em planeta, visualizamos a parte sul do grande continente, que seria correspondente a RS, Argentina e Madagascar.

 

Na época do Triássico, o mundo era um continente só. Em algum desses lugares eles apareceram primeiro. Por isso se faz escavações, para achar animais mais primitivos que os encontrados até agora e que contem melhor a história de seu surgimento”, comenta o curador Brandalise. O museu desempenha papel fundamental no resguardo do material cientifico e de patrimônio cultural, possibilitando que estudos sejam realizados no Estado e no País, sem que haja a necessidade de pesquisadores buscarem material brasileiro em terras internacionais. “As pessoas têm direito de ver o passado, o processo de evolução e as evidências de que a vida já foi diferente. Em países como EUA e Inglaterra, os fósseis são uma grande entrada para que crianças em fase escolar se interessem por ciência. Lá isso é uma cultura, e a ciência é importante para uma série de questões de vivência social. No museu é possível ver e até tocar, como no caso da madeira fóssil”, garante Brandalise.

 

O professor da Escola de Negócios da PUCRS e diretor de Turismo da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do RS, Abdon Barretto Filho, vê a paleontologia como atrativo turístico para o Estado, podendo trazer pessoas do mundo todo movidas pela curiosidade. Ele trabalha com a temática desde o início da década de 1980, quando organizava excursões turísticas ao que considera o primeiro sítio paleobotânico do Brasil, a cidade de Mata. “Esse fenômeno das árvores petrificadas mostra a importância da ciência em diversas áreas, inclusive no turismo. Ao vermos troncos de 40 metros que se transformaram em pedra, começamos a entender o processo de evolução e a valorizar essa dádiva da natureza”, afirma.

 

O economista, especialista em Marketing e mestre em Comunicação criou então o personagem Dinotchê, defensor do meio ambiente e garoto propaganda do turismo paleontológico no RS. Em Santa Maria, montou o espaço temático de mesmo nome, com um pequeno histórico do período Triássico para popularizar o tema. “Aí entrou o marketing turístico e comecei a ir pelo lado do imaginário para valorizar as nossas riquezas fósseis”, conta. Hoje o local está fechado, mas Barretto Filho continua promovendo o turismo paleontológico rural e urbano. “O Museu da PUCRS é talvez o maior expoente da temática no Estado. Acredito que o turismo paleontológico urbano poderia ter um destaque ainda maior. É só ver os outros museus do mundo que exploram o tema, como o de História Natural de Nova York”, avalia.

 

FONTE: Revista da PUCRS

Deixe uma resposta

  • *

    Protected by WP Anti Spam
    Trip Advisor

    Confira as avaliações dos hotéis da Rede Plaza de Hotéis

    Central de Reservas

    0800 70 75 292

    Assine nossa newsletter
    © Rede Plaza de Hotéis